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terça-feira, 5 de março de 2019

Sim sou forte, não choro...

Sim sou forte, não choro... anos e anos... E nem uma lágrima.

Pedi..., por favor façam-me chorar.... Parece que o meu coração  é feito de pedra... Nunca fui assim... Não me reconheço mas ano após ano as lágrimas secaram e parecia que não voltariam... Afinal sou forte... Aguento tudo, nada me afeta...

Quando caio... levanto-me, ergo a cabeça e penso... é só mais uma lição, mais um percalço... agora estou mais forte... novo dia, nova oportunidade... em frente... em frente, não vale a pena olhar para trás... segue o teu caminho, passo a passo determinado... sorriso nos lábios, lembra-te de quem és e dos que dependem de ti...

Não sou uma super mulher mas bem poderia ser... Entre desgostos, filhos para cuidar, obrigações e trabalho, não há  como nos compadecer com a nossa própria fragilidade... não há espaço para a emoção, para o amor ou auto comiseração.

Até que um dia, por um segundo... sem saber como nem porquê baixei a guarda e a carapaça rachou, a luz abriu caminho entre as frestas... invadiu-me e deixei-me cegar... emergi da caverna de sombras, da realidade de criei... Lentamente deixei o sol entrar e iluminar os cantos escondidos que já nem sabia existirem e então lembrei-me... que um dia fui criança e sorri sem bem saber porquê...

Inebriada por esta nova realidade pousei a espada, tirei a armadura e mergulhei despida num regato de alegria e esperança... abri o peito e o coração... e deixei que o sopro do dragão entrasse de novo em mim... e voltei a ser a menina curiosa com fome de mundo e de vida... eu... sou eu outra vez... pensei...

Mas na verdade essa menina já não o é mais, e agora sem armadura nem espada estou vulnerável e frágil e foi então que as lágrimas vieram, correram livres e com vontade própria... e não as posso parar...

Trazem a saudade de quem já partiu, a saudade de quem não pude ser... o arrependimento de ter permitido a luz entrar e a consciência que o caminho é solitário... e o que resta são apenas as memórias dos momentos que tivemos e a ilusão dos que nunca teremos.

Visito-te em sonhos, a dormir e acordada e juro que ainda te oiço rir... enquanto dizes... "gosto de ti..."

E as lágrimas não param e não sei se as quero parar... quero chorar a minha saudade... limpar a alma, beijar a lembrança de ti... e sei que... ainda estou no meu caminho... mas o meu destino és tu... e imagino vezes sem conta o dia em que volto para ti...

Alguém disse... as lágrimas são memórias que correm pelo rosto... acredito... e agora choro... sou forte... mas choro... de cabeça erguida... mas choro...

Com amor...


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